Lauril Sulfato de Sódio

Mais um alerta à saúde dos consumidores vem percorrendo o mundo virtual. O vilão da vez é o lauril sulfato de sódio, utilizado como detergente nos cremes dentais e algumas marcas de xampu, responsável pela formação de espuma nesses produtos. A mensagem original, de autoria atribuída à médica norte-americana Michelle Hailey, da Universidade da Pensilvânia, afirma que a substância, também conhecida pela sigla LSS, seria potencialmente cancerígena. Embora tenha sido veementemente negada pela sua suposta autora, a mensagem transformou rapidamente o lauril sulfato de sódio numa ameaça para milhões de consumidores nos quatro cantos do mundo. Os serviços de informação dos fabricantes de produtos de higiene ficaram congestionados e muita gente passou a conferir as fórmulas químicas dos produtos de higiene que compravam. Até hoje a dúvida persiste entre os consumidores brasileiros. Segundo o professor de Bioquímica Jaime Cury, da Faculdade de Odontologia da Unicamp, a polêmica em torno do lauril sulfato de sódio é improcedente. Não há, segundo ele, indícios de que o uso da substância, mesmo em quantidades altas, seja prejudicial à saúde. "O lauril sulfato de sódio é um ótimo detergente sintético porque é muito solúvel e não é inativado por sais. Não existe nenhuma outra substância que funcione como desengordurante com as mesmas propriedades", diz o professor. Além do alarme cancerígeno, a mensagem eletrônica que percorreu o mundo citava as marcas de alguns xampus e cremes dentais que continham o lauril sulfato de sódio, aconselhando que fossem evitadas pelos consumidores. Para o professor Cury, boatos desse tipo têm se tornado comum na Internet. "Há pouco tempo, foi a vez do aspartame ser acusado de provocar distúrbios mentais. Vincular informações erradas é fácil, o difícil é desmenti-las", diz ele. Nos Estados Unidos e Europa várias entidades manisfestaram-se a favor do uso do LSS nos produtos de higiene, inclusive a Cosmetic, Toiletry and Fragence Association e o Nacional Cancer Institute. Na mesma ocasião, o jornal The Washington Post investigou a denúncia e concluiu que era realmente falsa. No Brasil, o alerta também foi combatido em alguns órgãos de imprensa, como o Jornal do Brasil, que entrevistou a professora Inês Joekes, do Instituto de Química da Universidade de Campinas. A professora, que também recebeu o e-mail alarmista de um amigo brasileiro residente na Inglaterra, informou ao jornal que as provas de toxicidade com o lauril sulfato de sódio foram realizadas nas décadas de 30 e 40. Segundo ela, um dos testes demonstrou que para matar um camundongo, por exemplo, seria necessário injetar na veia do animal uma dose de LSS equivalente ao dobro do seu peso. O dado comprova que a substância pode ser utilizada sem riscos aos consumidores. O prof. Cury lembra, no entanto, que apesar da segurança que o lauril sulfato de sódio oferece, a substância pode provocar reações em pessoas mais sensíveis, como irritação na pele ou nas mucosas. No entanto, o fato é muito raro. Na cavidade bucal, essa sensibilidade normalmente ocorre quando o paciente já apresenta outras alterações, como a falta de saliva. Como todos os cremes dentais industrializados utilizam o lauril sulfato de sódio em suas fórmulas, a solução é recorrer às fórmulas isentas da substância, que podem ser preparadas nas farmácias de manipulação. Embora sejam bem menos agradáveis de usar, resolvem o problema. "Já há algumas pesquisas para substituir o lauril sulfato de sódio por outras substâncias nos cremes dentais, mas a preocupação não é grande porque os casos de reação são muito raros", afirma o professor.   

Por Lúcia Seixas, Jornalista do Medcenter.com